O que é a dissecção de aorta?
A dissecção de aorta é uma condição grave em que ocorre uma lesão na camada interna da aorta — a maior artéria do corpo. Por meio desse rasgo, o sangue se infiltra entre as camadas da parede do vaso, separando-as. Essa progressão pode levar à rotura da aorta ou à obstrução do fluxo sanguíneo para órgãos vitais, sendo considerada uma emergência médica.
Quais são os tipos de dissecção de aorta?
Existem 2 tipos de dissecção de aorta, classificados de acordo com a localização:
- Tipo A — há envolvimento da aorta ascendente (porção da aorta que sai do coração). É a forma mais grave.
- Tipo B — há envolvimento da aorta descendente (porção que se inicia após a saída dos vasos cerebrais e percorre o tórax) e da aorta abdominal, sem afetar a aorta ascendente.
Os exames de imagem definem o tipo de dissecção e guiam o tipo de tratamento necessário.
Quais são os sintomas da dissecção de aorta?
O principal sintoma é a dor intensa e repentina no tórax, que pode irradiar para o pescoço, costas ou abdômen. Outros sintomas incluem:
- Falta de ar
- Tontura ou desmaio
- Palidez
- Pressão arterial muito elevada ou assimétrica entre os dois braços
Diante desses sintomas, é fundamental buscar atendimento de emergência imediatamente.
Como é feito o diagnóstico?
- Angiotomografia computadorizada (AngioTC) com contraste — exame de escolha nas emergências
- Ecocardiograma transesofágico
- Angiografia por ressonância magnética
Qual é o tratamento para a dissecção de aorta?
Dissecção tipo A
A dissecção tipo A é uma emergência cirúrgica. A mortalidade é muito alta e aumenta a cada hora do início dos sintomas. A cirurgia é realizada pela equipe de Cirurgia Cardíaca, que na maior parte dos casos realiza a troca da porção doente por uma prótese sintética, além de corrigir as válvulas do coração eventualmente acometidas.
Dissecção tipo B
A dissecção tipo B é inicialmente tratada com controle da pressão arterial e da dor, além de monitorização rigorosa em ambiente de terapia intensiva. Muitos pacientes não necessitam de intervenção cirúrgica, porém devem ser acompanhados com exames de imagem periódicos.
Se a dissecção estiver complicada com diminuição do fluxo sanguíneo para os órgãos ou membros, está indicada a correção cirúrgica — realizada quase que 100% das vezes pela técnica endovascular. Uma endoprótese é colocada na porção da aorta afetada através de um pequeno acesso na virilha, selando a entrada de sangue na falsa luz.
Cerca de 1/3 dos pacientes com dissecção tipo B necessitarão de correção cirúrgica no acompanhamento a longo prazo.